domingo, 23 de maio de 2010
O que é relevante para você na hora de comprar um carro?
Vivo me aborrecendo com um monte de coisas que as montadoras fazem e que acho equivocadas. Entro nos blogs, por exemplo, do site da Autoesporte e muitas vezes coloco minhas opiniões. Vejo que a grande maioria das pessoas que postam suas opiniões – as vezes, sem qualquer fundamento –, apenas criticam, sem com isso acrescentar algo de construtivo. Isso me exasperava ao extremo, cansei de postar verdadeiros sermões, chamando-os de imaturos, de que eles não têm ideia de quão poderosa seria essa ferramenta, se fosse utilizada de outra forma, mais consciente e, sobretudo, mais madura. Não adianta, esse pessoal nunca vai aprender. Até porque não podemos esquecer que muitas dessas pessoas sequer têm idade para dirigir.
Contudo, depois de muito refletir, pude ver as coisas de outro ângulo: as pessoas têm expectativas diversas quando adquirem um veículo – e muito. Por exemplo, acho que a grande maioria não se importa com muita coisa: detalhes como modernidade, design inovador, equipamentos específicos – tais como, rodas esportivas, computador de bordo, spoilers, faróis de milha, entre outros – não têm peso. Essas pessoas, como disse, a maioria, se preocupa com coisas menos específicas, ou seja, preço, valor de revenda, espaço interno, porta-malas, etc. Alguns, se preocupam com itens de conveniência, tais como ar-condicionado, vidros e espelhos elétricos, direção assistida. Esses já pertencem a uma casta mais exigente. Pouquíssimos indivíduos, esses tarados que se dão ao trabalho de ler o que os energúmenos escrevem nos blogs do site da Autoesporte da vida, se preocupam com modernidades, inovações, enfim, em ter automóveis alinhados com os de suas matrizes na Europa, Estados Unidos, Japão, Itália, etc. Itens como comando de válvulas variável – em volume e tempo – direção com assistência elétrica, computador de bordo, “cruise control”, cambio automático de cinco ou seis velocidades, ou o CVT (o mais inovador e ao mesmo tempo simples de usar), controle de tração, controle de estabilidade; enfim toda uma gama de itens mais comuns nos modelos importados e com valores muito superiores, é que têm relevância.
O que se vê nas montadoras nacionais são modelos defasados em relação aos das matrizes, nem dá para enumerar, ao contrário, seria mais fácil listar os que estão alinhados com os de seus países de origem. Contudo, com a chegada das montadoras japonesas e, mais recentemente, das coreanas – que não só vieram com novas ideias como também com uma política de preços bastante agressiva –, essa situação começou a mudar. Com isso, nossas montadoras tradicionais começaram a perceber que mesmo essa maioria esmagadora de consumidores que não se importava com essas modernidades estão revendo seus conceitos. Com isso, elas se viram numa situação bastante desconfortável – isso para não falar da crise mundial que afetou o mercado como um todo. Basta lembrar os recentes episódios da GM, Ford e Chrysler que tiveram que receber enorme ajuda financeira do governo americano e a enxugar consideravelmente suas subsidiarias. Da crise mundial poucas passaram incólumes. E é exatamente nesses momentos que as empresas sabem que a criatividade é o melhor caminho para tirar proveito. Algumas desaparecerão enquanto outras irão crescer. É sem dúvida um assunto palpitante e polemico.
E você, o que acha importante na hora de escolher o seu carro? Vou dar algumas dicas: sou uma pessoa super detalhista, e é principalmente no interior que mais me preocupo – um painel bem resolvido já é meio caminho andado. Coisas como, por exemplo instrumentação incompleta é um pecado imperdoável. Abaixo listo coisas que me desagradam visceralmente – não necessariamente nessa ordem.
1. Ausência de termômetro de água no painel.
2. Instrumentação no centro do painel.
3. Volante com os raios invertidos.
4. Estepe colocado sob o porta-malas.
5. Câmbio automático de 4 marchas. Coisa mais pré-histórica. Hoje em dia tem que ter 5 ou 6, ou então CVT – o melhor de todos.
6. Rádio simples quando há espaço para o device de dois andares – fica um buraco indesejável bem no meio do painel, em geral provocando uma descontinuidade no painel, especialmente no que diz respeito à iluminação.
7. A iluminação do painel tem que ser consistente e deve ser todo coerente, por exemplo, o radio deve ser parte do painel e não algo a parte – e deve ter a mesma cor dos instrumentos.
8. Os tecidos dos bancos e das portas devem ser agradáveis ao toque – veludo, de preferência.
9. Luz de ré única – ainda mais porque é colocada sempre no lado oposto ao do condutor. Quase sempre a gente põe a cabeça do lado de fora da janela para da a ré, e aí, onde está a luz: do lado oposto. Falta de soluções adequadas.
10. A abertura do capô tem que ser escondida – nada de ficar exposta, como uma cicatriz risonha e corrosiva, alá carro francês (Megane, 307) e outros (Corolla) – ainda bem que temos Civic, Sentra, Fusion, Jetta e outros que não embarcaram nessa furada: privilegiar a economia em detrimento da beleza. Me desculpem, mas, em matéria de carro beleza é fundamental.
11. Por último, a placa traseira deve ser colocada no centro da tampa do porta-malas, nunca no para-choque. A posição central harmoniza as linhas, pois os elementos todos se desenvolvem em torno, enquanto que, quando a placa fica na parte inferior da traseira, ela “puxa”a traseira para baixo. E quanto mais alta é a traseira – e essa é uma tendência irreversível – mais clara fica essa evidência. Vejam como as montadoras ficam inventando frisos inúteis, logotipos imensos e desproporcionais – tudo para esconder a ausência da placa. É preciso aqui deixar claro que as montadoras só se utilizam desse expediente para economizar. Nada mais. O melhor exemplo disso é a Ford, com a experiência desastrada do Ka e do Fiesta: ela voltou ao jogo depois de repaginar esses modelos e colocar a placa no lugar correto. Esse ponto “não é meramente uma questão de gosto pessoal minha”!
Você deve imaginar que para uma pessoa tão exigente deve ser bem difícil escolher um carro na hora da compra, pois praticamente todos os carros tupiniquins têm pelo menos um ou mais dois itens acima descritos. Muito pelo contrário, diante de uma gama tão grande de escolha, fica muito fácil excluir aqueles que me desagradam. Sobram poucos, muito poucos – por certo não os mais baratos.
Vejam como são as coisas, se você fizer um simples teste, num dia de chuva, fique parado numa esquina e repare só: quantos carros que têm limpador traseiro – e olha que praticamente todos os hatchs, Sw`s, e mono volumes saem de fábrica com esse artefato – fazem de fato uso dele? Você vai verificar que são pouquíssimos. Na estrada o percentual aumenta alguma coisa – parece que os motoristas que se aventuram a pegar uma estrada têm um pouco mais de consciência – mas, mesmo assim, ainda são uma maioria avassaladora
E qual é a conclusão que temos que tirar dessa observação? Ou as pessoas sequer sabem onde fica o botão que liga esse troço ou, pior hipótese, sequer olham pelo espelho retrovisor interno. Sim, porque se olhassem teriam a visão prejudicada. Outro dia, minha mulher veio me perguntar como é que fazia para ligar esse limpador – e, vejam, já temos essa Spacefox há mais de três anos!! Como é que só agora ela se preocupou com isso?
Dito isso, me vem à cabeça a seguinte, e interessante, questão: como é que a gente vai imaginar que essa imensa maioria de motoristas, que sequer sabem onde liga o limpador traseiro, vai está preocupada se o painel tem termômetro de água, se tem computador de bordo, se a luz de ré fica do lado esquerdo, se o câmbio tem 4, 5 ou N velocidades? Ou, ainda, se o estepe está em baixo ou dentro do porta-malas, se a iluminação do painel é assim ou assado?
A conclusão que chego é que as coisas com as quais eu fico queimando meus neurônios, mandado mensagens nos sites especializados e para as próprias montadoras, são absolutamente irrelevantes para a maioria absoluta dos simples mortais. Portanto, a minha opinião não tem a menor importância. Quem sabe, até escrever este reles blog não seja uma total perda de tempo. Totalmente inútil.
E para você, o que é relevante na hora de escolher seu carro?
terça-feira, 2 de março de 2010
1000km com uma Meriva 1.3 a Diesel na Europa
Minha enteada mora na Bélgica, numa cidadezinha chamada Brasschaat – se pronuncia brachrrat – junto à Antuérpia, que é a segunda maior cidade da Bégica e, pasmem, o segundo maior porto comercial da Europa. Ano passado ela e o marido decidiram trocar o velho Lancia por uma Meriva
O carro – praticamente igual ao fabricado aqui – tem um motor interessante: quase não dá para perceber a diferença. Apenas em ponto morto o motor faz um suave “poc-poc”. Em contrapartida no trânsito urbano mostra uma boa vantagem: os motores a diesel se caracterizam por ter um limite de rpm mais baixo, e tem uma curva de torque que favorece a utilização urbana; por outra, seu torque aparece numa rotação inferior ao equivalente a gasolina. E na estrada ele também se sai bem, dá para manter uma velocidade de cruzeiro de 120km/h sem qualquer esforço – o que já é suficiente para a maioria dos mortais. Trocando em miúdos, essa pequena usina de força a diesel, de 1.300cc, em ordem de marcha nada fica a dever a um motor 1.6 multivalvulado a gasolina – daqui, bem claro.
Nossa Meriva ao lado de um Lancia – primo irmão do Idea.
Contudo, sua maior virtude está na economia de combustível: fizemos uma viagem a Reims, França, depois fomos a Veurne – litoral da Bélgica – o hodômetro marcava 836km e o ponteiro do combustível marcando ainda fora da reserva, quando resolvemos reabastecer. Impressionante! Acho que faria uns 900km com um único tanque. E a capacidade do tanque é a mesma do daqui – 52,5l.
Eu e a Meriva, em Breda, na Holanda – curiosa comparação com o Morris Mini Cooper.
Eles pagaram o equivalente a algo como 43 mil Reais, e o carro tem tudo que você desejaria, até ABS e AirBag, sem falar no ar condicionado, travas e vidro elétrico, computador de bordo, Cruise Control – essas coisas que já viraram básicas. Além de contar também com o rádio de fábrica – que é o próprio painel do carro – aquele que mostra suas funções no display colocado na parte superior do painel.
Vejam o display superior mostrando todas as funções – 2,8ºC em pleno outono.
Uma Meriva com todos esses mimos por aqui sairia por uns cinquenta e tantos mil. Coisas da nossa escorchante carga tributária – brevemente abordaremos o assunto.
Depois desse preâmbulo vamos a nossa primeira pesquisa. No Brasil, como todos sabem, o diesel é proibido para os carros de passeio; paradoxalmente é permitido nos SUV’s com tração – aqueles super Pajeros e Hilux da vida, que só os endinheirados podem comprar. A argumentação governamental é de que o diesel é subsidiado – leia-se para ônibus, caminhões e furgões – e agora que o governo adora propalar aos quatro ventos que nos tornamos auto-suficientes em petróleo, e com a descoberta da camada Pré-Sal e tudo o mais; essa questão do diesel deveria ser rediscutida e revista, não só nos labirintos ministeriais em Brasília, mas em toda a sociedade. E não temos também a tecnologia do biodiesel? Por que não podemos também dispor desse combustível para os veículos leves, a semelhança de países vizinhos, como, por exemplo, a Argentina? Seria uma opção a mais, e bem vinda, por sinal.
Pense a respeito, mande sua opinião. Por que não começar a discutir o assunto aqui?
Abraços a todos.
Fernando Bello
