terça-feira, 2 de março de 2010

1000km com uma Meriva 1.3 a Diesel na Europa

1000km com uma Meriva 1.3 a Diesel na Europa

Minha enteada mora na Bélgica, numa cidadezinha chamada Brasschaat – se pronuncia brachrrat – junto à Antuérpia, que é a segunda maior cidade da Bégica e, pasmem, o segundo maior porto comercial da Europa. Ano passado ela e o marido decidiram trocar o velho Lancia por uma Meriva 1.3 a diesel. Confesso que torci o nariz, afinal, se aqui no Brasil a Meriva 1.4 a gasolina (ou álcool) é “fracote”, achei que 1.3 seria ainda mais combalida. Ledo engano. Setembro passado ficamos um mês na Bélgica e rodamos mais de mil quilômetros com esse interessante GM, o que nos deu uma boa ideia de seu comportamento tanto na cidade quanto na estrada. Infelizmente naquela região – Bélgica, Holanda e França – a topografia é praticamente plana; assim não tivemos como saber seu comportamento numa subida de serra.

O carro – praticamente igual ao fabricado aqui – tem um motor interessante: quase não dá para perceber a diferença. Apenas em ponto morto o motor faz um suave “poc-poc”. Em contrapartida no trânsito urbano mostra uma boa vantagem: os motores a diesel se caracterizam por ter um limite de rpm mais baixo, e tem uma curva de torque que favorece a utilização urbana; por outra, seu torque aparece numa rotação inferior ao equivalente a gasolina. E na estrada ele também se sai bem, dá para manter uma velocidade de cruzeiro de 120km/h sem qualquer esforço – o que já é suficiente para a maioria dos mortais. Trocando em miúdos, essa pequena usina de força a diesel, de 1.300cc, em ordem de marcha nada fica a dever a um motor 1.6 multivalvulado a gasolina – daqui, bem claro.

Nossa Meriva ao lado de um Lancia – primo irmão do Idea.

Contudo, sua maior virtude está na economia de combustível: fizemos uma viagem a Reims, França, depois fomos a Veurne – litoral da Bélgica – o hodômetro marcava 836km e o ponteiro do combustível marcando ainda fora da reserva, quando resolvemos reabastecer. Impressionante! Acho que faria uns 900km com um único tanque. E a capacidade do tanque é a mesma do daqui – 52,5l.

Eu e a Meriva, em Breda, na Holanda – curiosa comparação com o Morris Mini Cooper.

Eles pagaram o equivalente a algo como 43 mil Reais, e o carro tem tudo que você desejaria, até ABS e AirBag, sem falar no ar condicionado, travas e vidro elétrico, computador de bordo, Cruise Control – essas coisas que já viraram básicas. Além de contar também com o rádio de fábrica – que é o próprio painel do carro – aquele que mostra suas funções no display colocado na parte superior do painel.

À noite o painel fica bem elegante – o rádio se integra e valoriza o painel.
Vejam o display superior mostrando todas as funções – 2,8ºC em pleno outono.

Uma Meriva com todos esses mimos por aqui sairia por uns cinquenta e tantos mil. Coisas da nossa escorchante carga tributária – brevemente abordaremos o assunto.

Depois desse preâmbulo vamos a nossa primeira pesquisa. No Brasil, como todos sabem, o diesel é proibido para os carros de passeio; paradoxalmente é permitido nos SUV’s com tração – aqueles super Pajeros e Hilux da vida, que só os endinheirados podem comprar. A argumentação governamental é de que o diesel é subsidiado – leia-se para ônibus, caminhões e furgões – e agora que o governo adora propalar aos quatro ventos que nos tornamos auto-suficientes em petróleo, e com a descoberta da camada Pré-Sal e tudo o mais; essa questão do diesel deveria ser rediscutida e revista, não só nos labirintos ministeriais em Brasília, mas em toda a sociedade. E não temos também a tecnologia do biodiesel? Por que não podemos também dispor desse combustível para os veículos leves, a semelhança de países vizinhos, como, por exemplo, a Argentina? Seria uma opção a mais, e bem vinda, por sinal.

Pense a respeito, mande sua opinião. Por que não começar a discutir o assunto aqui?

Abraços a todos.

Fernando Bello